Casa nova… Novas Descobertas! (e Montessori sempre presente :) )

O meu filho tem 3 anos, mas já vai na sua 4ª casa. 
A vantagem de mudar tantas vezes é esta: aprende-se sobre um novo ambiente, uma nova adaptação, novas realidades. Em casa pouco temos feito, apenas nos estamos a acostumar a esta nova vida. 
Mas do que temos mesmo gostado é de passear (podem ver o que Maria Montessori pensava disso aqui) 🙂

Em casa, voltamos a tentar manter o ambiente simples, embora reconheça que, com 2 filhotes, a coisa complica!!!! 
Então, a solução vem em colocar em baixo, na estante, coisas para a pequenina, que está com 11 meses, já gatinha e já se põe em pé. Queria colocar uma barra no espelho, como teve o irmão, mas, lá está, sinto o mesmo problema que muitas famílias: a casa é alugada… Então, tenho-lhe dado várias possibilidades de se por de pé, e ela está realmente com uma enorme necessidade de o fazer! Ou apoiando-se em nós, ou apoiando-se na cozinha de brincar do irmão, ou na estante, ou na nossa cama, em que a parte da frente tem mesmo o tamanho certo para ela… Tudo é válido, e ela tem total liberdade de andar pela casa e explorar, descobrir, levantar … Acho lindo demais vê-la tão pequenina, mas tão exploradora e “independente” 🙂 <3

E porque estamos outra vez em Dezembro, e muito inspirada por esta atividade em família do blog Mindful Montessori, vamos tentar seguir a mesma ideia e fazer uma atividade em família por dia! 🙂 Há valor mais bonito que este a ensinar no Natal? 
Em Montessori nào se alimenta a fantasia, como sabem, a criança pequena necessita de conhecer a realidade em que se insere, e o mundo real é muito mais estimulante da imaginação que mil histórias de fantasia imaginadas por outros. Então, nós aqui queremos passar a ideia da importância do Natal para a família, os encontros, a generosidade natural do ser humano. 
O avô fez anos, e nós fizemos estas bolachinhas para comemorar. Embora ele não esteja perto de nós (está a 450km), nós fazemos muitas coisas a pensar neles e na restante família (avó, tios, primos..) 

A dada altura, enquanto estávamos a meio da receita, a mana exigiu mamar! Mas isso não é obstáculo para uma criança Montessori. Maravilhosa, a forma como ele tomou a rédea dos passos seguintes e continuou a fazer as bolachinhas. 

Delicioso ver toda a evolução do ano passado, em que ainda precisava de ajuda para todo este processo 🙂
Entretanto, tenho também de dar algum mérito ao Jardim de Infância para onde entrou, que embora não Montessori, tem uma educadora fantástica, que acredita no trabalho totalmente realizado pelas crianças, que alimenta muito o contacto com a realidade, a natureza, e é também uma pessoa fantástica! 
Tal como ela indica, a sua base é Piaget, e Piaget foi discípulo de Montessori e nas suas investigações sobre a criança, também observou as crianças montessori. Piaget foi ainda um dos presidentes da Associação Montessori Suíça! 
Dá que pensar, não dá? Porque foi Piaget mais valorizado nos seus estudos da criança que Maria Montessori? 
Para mim a resposta é fácil: sendo que fez as suas observações e estudos em meados do século XX, teve maior reconhecimento pela comunidade científica por ser homem. Além disso, ele fez experiências com as crianças, algo que Maria Montessori considerava anti-ético. Curioso, hein? De qualquer forma, essas experiências não foram negativas para as crianças, e levou a que as suas ideias chegassem a mais educadores e professores, e hoje somos gratos por isso. Só fico com pena que não se tivesse ouvido mais cedo Maria Montessori, talvez assim a criança tivesse sido ouvida e respeitada mais cedo também…
Bem, e lá divaguei eu mais um pouco 🙂 Gosto de pensar e tirar ilações de tudo o que tenho aprendido sobre Montessori nos últimos anos, acho que a mesma foi uma pessoa fascinante e quanto mais avanço neste conhecimento, mais me apercebi que tantos investigadores e livros li antes de a ler a ela, e no fundo todos concluem aquilo que ela foi a 1a a concluir: 
  • A criança aprende por imitação, pois possuímos neurónios espelho que, nos primeiros anos, absorvem o mundo e as pessoas tal como elas se apresentam;
  • A criança tem voz e tem uma força interior enorme que pode mudar a Humanidade – a criança tem uma bondade infinita, não faz distinção entre cor, religião, bandeira;
  • A criança aprende praticamente sozinha se tiver um ambiente adequado às suas necessidades e um adulto preparado que oriente esse ambiente;
  • A liberdade é motor da descoberta, exploração, investigação: a criança é um investigador científico nato;
  • Liberdade implica limites conscientes de si e dos outros, logo implica responsabilidade – a criança cresce aprendendo a respeitar-se a si e aos outros;
  • A Vida Prática é uma forma super positiva de aprendizagem indirecta: além da criança aprender a tornar-se um adulto autónomo, a mesma ajuda indirectamente à aprendizagem da leitura, escrita, matemática, ciências… Em casa, a Vida Prática ajudará muito para que a criança venha a ter sucesso na escola e na vida, e provavelmente bate qualquer brinquedo educativo que a gente compre 😉

Pronto, por hoje é isto 🙂

Um abraço,
Ana 

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