A 3a Grande História – A História do Ser Humano

Se tivéssemos de descrever a nossa história como espécie, como nos mostraríamos? Os bons, ou os maus?

Para mim é uma pergunta difícil, com todo o conhecimento que temos vindo a acumular sobre a Humanidade ao longo dos anos, principalmente com o aumento de informação em rede, nas notícias diárias e ao minuto em que nem sempre mostram o nosso melhor. E além disso, também é uma pergunta difícil para as crianças, porque por mais que as tentemos proteger, eles acabam sempre por, volta e meia, se cruzarem com informação que mexe com elas e leva, muitas vezes, à mesma questão: afinal, somos os bons ou os maus?

Então, como responder a esta questão?

Eu penso que a 3.ª Grande História ajuda a começar essa reflexão. É uma história simples, mas traz a aprendizagem mais profunda, penso eu. Abre, pelo menos, essa reflexão.

“Então, de onde vem o ser humano?”, “Éramos todos iguais, ou havia seres humanos diferentes, e se havia, éramos todos amigos?”, “Se os primeiros seres humanos foram Adão e Eva, então os terceiros seres humanos eram filhos dos filhos deles, ou seja, eram filhos de irmãos?”, “Os seres humanos eram como os romanos e lutavam muito?” – Sim, estas eram as perguntas que eles tinham bem preparadas na cabeça deles desde que finalizamos a História da Vida com o aparecimento do Ser Humano. E sim, eu não estava à espera que fossem tão profundas, lol! (esta coisa de levar os miúdos a pensar leva-nos muitas vezes para campos que não imaginamos, sim! Mas uau!!! Que bom que seja assim! 🙂 🙂 🙂 )

A história que eu compilei juntou a informação, mais atualizada, do livro da Educação Cósmica da Escuela Viva aqui e a versão mais simples (porque está carregada de mensagens holísticas) de Mário Montessori (versão da AMI). Foi o que fez sentido para mim. 

Então, na primeira parte aproveitei as nossa miniaturas da SAFARI com a evolução do Homem, assim como algumas imagens que procurei na Internet, referenciadas no livro da Escuela Viva.

Aquelas questões voltaram de novo. Somos bons ou somos maus? Concluímos que temos de nos lembrar que, se dantes não tínhamos o conhecimento e muitas vezes a escolha, hoje temos ambas e devemos proceder e educar com essa consciência. (sim, é muito mais trabalho e responsabilidade, sem dúvida. E se isso não é evolução, então não sei bem o que é. Nós somos seres que sempre evoluímos. Com avanços e recuos, mas podemos concluir que sempre evoluímos. Então, educar com consciência parece-me mesmo o próximo passo. Conclusões que chego após as conversas com eles.)

Voltando à história: A história é simples, a mais curta de todas. Fala-nos dos nossos 3 dons como espécie: mãos para trabalhar, cérebro para pensar e resolver problemas, e um grande coração para amar. Esta é a grande mensagem que ficou guardada em nós, alunos e professora. Claro que eles acrescentam sempre mais qualquer coisa a estes dons. E às vezes vêm dizer que alguns animais também são muito inteligentes e resolvem problemas, porque descobrem-no em projetos ou no contato com os seus próprios animais de estimação. O que representa que as interligações entre tudo começam a ser fortes nas suas cabeças. De cada vez que falamos nos dons humanos, após ter contado esta história, eles interligam mais qualquer coisa. É surpreendente 😊😊😊

Mas, claro, não seriam crianças deste 2o Plano se, mal se termina a história, não tivessem imensas perguntas para a próxima (e, na nossa realidade actual, relacionadas com ecologia, saúde, ação humana sobre o planeta…)

Como dizia o Gabriel Salomão, levar as crianças a pensar e refletir com estas histórias pode levar estas crianças a tornarem-se revolucionárias, embora não seja essa a intenção direta. Mas pode acontecer. 

Então, foi após esta história que se tornou fundamental o conto e leitura de histórias de grandes seres humanos, para ajudá-los a compreender que podemos fazer muitas coisas positivas como espécie, e que qualquer um de nós pode ser brilhante fazendo aquilo que gosta de fazer.

Aí ajudaram muito os livros que o nosso Agrupamento nos prendou este ano:

Desenho de uma aluna após a leitura do livro da Ella Fitzgerald
Desenho de uma aluna após a leitura do livro da Ella Fitzgerald
Outro desenho de outro aluno numa ficha de leitura.

Estes livros já estão a ser lidos desde o início do ano letivo (lemos Montessori, Darwin, Galileu), mas penso que só após esta história eles os começaram a apreciar mais. A forma como absorveram Da Vinci foi surpreendente. Mas talvez o tenha sido porque temos a sorte de ter um aluno que é um pouco como foi Da Vinci na turma. E, para esse menino, que tem claramente uma forma de ser e pensar diferente, foi incrível ver alguém que era um pouco como ele. Foram bonitos momentos em que uns e outros foram capazes de apreciar características pessoais de uns e de outros com admiração e carinho. São um grupo muito unido, e estou certa que estas reflexões os tornaram mais unidos ainda, superando inclusive preconceitos e barreiras (crianças não nascem preconceituosas, todos sabemos.)

A riqueza da compreensão do nosso lugar do mundo, após o conhecimento da 1a e da 2a Grande Histórias e agora com a 3a Grande História e as mini-biografias, tem sido imensurável! Não me lembro de alguma vez ter tido alunos tão despertos e conscientes como estes, antes de aplicar Montessori no 1o Ciclo. Embora não me devesse surpreender, surpreende sempre. E depois, os próprios conteúdos programáticos apaixonam-nos como nunca vi:

Trabalhos de Projeto sobre o corpo humano em construção
Então, afinal, somos os bons ou somos os maus? Talvez às vezes sejamos os bons, e outras vezes sejamos os maus. O que interessa é que tenhamos cada vez mais consciência do que é certo e errado, e essa consciência constrói-se, precisamente, neste 2.º Plano. E não se constrói com alguém a dizer-nos como é ser bom e o mau, mas sim com alguém que nos coloca as perguntas certas para refletirmos sobre as respostas e construirmos as noções de bom e de mau, e talvez a compreensão de que todos somos, ocasionalmente, também os maus, e que isso faz parte de se ser humano. E que com isso vêm as consequências, tal como vêm quando somos bons. Errar nesta idade é bom e recomenda-se, porque, se esse erro for bem acompanhado e bem direcionado, pode ser uma das mais importantes aprendizagens das crianças. 
Mas os livros de biografias também ajudam a essa perceção. Conforme se vai lendo estas historinhas, eles vão-se apercebendo de imensos valores humanos que são importantes: que errar é humano, que é importante persistir, que é normal as pessoas nem sempre se sentirem seguras com as suas ideias, que por vezes acontecem coisas nas vidas das pessoas que as impedem de conseguir ir mais longe, ou à velocidade que gostariam de ir… Tantas boas mensagens. Mas, claro, a mais forte é sempre a de que devemos persistir e ter coragem de seguir o nosso caminho, de divulgar as nossas ideias, de não ter medo de falhar, porque muitos já o fizeram antes de nós e foi exatamente assim que a nossa espécie evoluiu até ao presente.
Os meus alunos escolheram acreditar que os 1.ºs seres humanos eram como os bebés: sobrevivem e fazem sem muita noção do que estão a fazer. Concluíram que o ser humano foi, ao longo da sua História, crescendo e ganhando novas noções e visões sobre tudo, evoluindo. E que hoje temos mais coisas e oportunidades, mas também mais consciência do que nunca antes, e por isso devemos agir em conformidade com essa consciência! Simples assim 🙂
Ah, preciso acrescentar algo interessante: os meus alunos decidiram todos usar máscara sempre, mesmo não sendo obrigatório. Tomaram essa decisão por conhecimento da situação actual e por saberem que assim protegem-se melhor e protegem os outros. Se isto não é consciência a ser aplicada, então não sei o que é. ❤️❤️❤️

Até breve!

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  1. Obrigada, por esta partilha. ❤️

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