É verdade, assim, de repente, em vez de Alentejo, que era o que esperávamos, fiquei antes colocada numa das maiores cidades nortenhas, que é a cidade onde cresci.

Por um lado, ficámos muito contentes por voltar a ficar perto da família.

Por outro, a readaptação tem tido que se lhe diga. O clima é diferente. A falta de mais espaços naturais torna tudo também muito diferente. As pessoas, com o tempo, estão diferentes. A casa é diferente. A vida é diferente.

Mas uma coisa é certa: desta vez, estou a dar aulas a crianças que eu já conheço muito bem. Posso não conhecer estas em específico, mas o background de cada uma delas já não é novidade para mim, que cresci nesta cidade e conheço a sua forma de estar e a sua essência. E as pessoas do norte têm características específicas, e sendo a genuinidade uma delas, aqui não há espaço para tretas: o que é preciso dizer-se diz-se e pronto. Há também muito mais abertura para diferentes métodos, pessoas e realidades. E aqui, as pessoas apoiam-se mais, digam o que disserem. Sempre foi uma das características que mais amei no norte. É por isso que, quando se chega aqui, sente-se logo a diferença nas pessoas. 

Bem, ao fim de semana e meia com esta turma, rapidamente percebi que, só com o apoio de Montessori, é que conseguirei recuperar esta turma de dois confinamentos e mais umas quantas quarentenas. Esta turma passou por muito. Sozinha, nunca conseguiria dar conta do recado. Mas com Montessori, não estarei “sozinha” 😊😊😊 

Então, aos poucos, lá vou eu trazendo para a sala materiais para promover a auto-aprendizagem e a auto-descoberta. 

Problemas logo sentidos:

– a sala é super pequena, e a turma enche-a deixando pouco espaço para movimentação. Estas salas pequenas não foram pensadas para estas idades, e muito menos para Pandemias. As mesas são para dois e têm um acrílico a separá-las. Ainda assim, as crianças são crianças, são resilientes e encontram soluções. Quando há partilha de conhecimento, elas colocam as máscaras para poderem estar e ajudar os outros, e higienizam com frequência as mãos.

– a sala tem apenas dois armários embutidos. Certo que são grandes. Então, um deles é necessário para todo o material desta turma (dossiers, papel, plasticina, materiais para Expressões), pelo que fico com o outro para colocar materiais Montessori e Montessori Friendly. Não sei se vai dar para estantes temáticas. Será muito bom se conseguir ter todos os materiais de que necessito neste espaço, mas claro, vou tentar!

– não vai dar para Montessori puro, claro. Tenho as minhas dúvidas se alguma vez será possível na escola pública, com as obrigações que temos a nível de currículo, documentos, avaliações, etc. Mas já será muito bom se, de alguma forma, a Educação Cósmica conseguir chegar a estes alunos. Pelas relações entre eles, e alguns conflitos, já concluí que a Educação Cósmica pode ajudar, e muito, a aprender mais sobre eles próprios, os outros e o nosso papel no planeta.

Aqui estão as imagens de algumas alterações, iniciais, que estou a fazer:

0 Thoughts to “Realidade nova, vida nova!”

  1. Olá, Ana! Sou sua seguidora e admiradora pelas redes sociais fora. Este ano estou com um segundo ano e com vontade de revolucionar tudo. Ao contrário do que talvez fosse a ideia de Montessori, eu adoro trabalhar com os manuais digitais da Porto Editora e da Leya. Mas acho que, sobretudo na Matemática, um vídeo a explicar um problema e a ajudar a visualizar as coisas faz milagres, mas nada como mexer em materiais concretos. Pode dar-me algumas dicas nem que seja para eu começar? Muito obrigada e parabéns pelo seu trabalho!

  2. ana

    Olá, Madalena! Muito grata pelas suas palavras 🙂
    Montessori, é, em primeiro lugar, o Adulto Preparado. A nós, professores, ensinam-nos muita teoria nos nossos cursos, mas ainda falha muito a prática, principalmente com materiais de aprendizagem, gestão de emoções (nossas e dos outros), entre outras aprendizagens que Maria Montessori sentia como fundamentais que os seus guias fizessem. Muita desta aprendizagem é Hands On também para o adulto, para este sentir realmente o que a criança sente ao manipular os materiais, sendo que a criança está sempre mais desperta do que nós para as aprendizagens, diretas e indiretas, dos mesmos. É difícil orientá-la sem conhecer melhor o seu contexto… Para mim, foi fundamental fazer formação nas diferentes áreas de aprendizagem Montessori: recomendo, então, que faça uma formação/workshop com a Sylvia Sousa aqui: https://busybox-montessori.jumpseller.com/ , com o Gabriel Salomão aqui: https://larmontessori.com/ , com a Escola Montessori do Porto aqui: https://montessoriporto.org/ ou com o IMI aqui: https://montessorispace.com/pt-pt Recomendo que, se tiver por perto uma opção presencial, é muito mais efetiva do que qualquer online. No entanto, as formações online também podem ajudar muito na introdução do Método a quem está no início 🙂
    O 2.º ano ainda está muito desperto para este tipo de aprendizagens Hands On, pelo que recomendo muito que experimente e não desista, mesmo se souber pouco como, vá oferecendo e observando a reação dos seus alunos. Leve materiais para eles explorarem. Coloque-lhes desafios para descobrirem com esses materiais. Utilize o MAB (ou Material Dourado Montessori) para ensinar o Sistema Decimal. Muitas escolas têm este material, é uma questão de perguntar. Pesquise na net pelos materiais Montessori, há muitos imprimíveis grátis. Eu, normalmente, procuro em inglês, surgem mais.
    Mas não descure a formação de Adulto Preparado, pois é essa que ajudará a lidar melhor com o "caos" que muitas vezes surge na sala de aula e com o qual a maioria dos professores tem dificuldade em gerir. Em Montessori, muda-se o foco do professor para a criança. É aí que está a verdadeira revolução! 😉
    Espero ter conseguido ajudar. Se necessitar de algo mais com que eu possa ajudar, aqui ou nas redes sociais, disponha <3

  3. ana

    Esqueci-me do Jardim da Descoberta, que também tem apostado em Formação de Excelência: https://www.jardimdadescoberta.pt/
    🙂

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